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O artifício de se criar gêneros e sub-gêneros musicais mostrou-se, através dos tempos, completamente desnecessário. Na ânsia de encaixar artistas em determinada categoria, várias definições vão sendo criadas, e acabam por servir mais no sentido de negação do que propriamente de afirmação pelos artistas. As bandas não gostam de classificações que tendem a limitar e engessar a idéia a respeito de seus trabalhos. Entretanto, algumas definições superam o caráter puramente musical e passam a representar toda a atmosfera que cerca determinado estilo de composição. Assim como aconteceu com maior intensidade com o rock’n’roll, hoje assistimos a afirmação do trip-hop.
Proveniente de Bristol, na Inglaterra, o trip-hop é uma vertente da música eletrônica que caracteriza-se por batidas graves e lentas, embaladas por belas melodias elaboradas e envolventes. Vocais calmos, mas de temática profunda, também são freqüentes. Porém, verdadeiramente empolgantes, são as bandas que contam com vocais femininos poderosos e marcantes. E apesar dos membros da banda não concordarem com o termo, o trip-hop é a palavra a ser empregada para definir o som dos belgas do Thou.
A história do Thou tem início no começo dos anos 90 quando faziam músicas bem diferente do trip-hop, apenas um folk-rock despretensioso. Com o passar dos anos o Thou sofisticou e incorporou influências à sua música até o lançamento de seus dois primeiros trabalhos: “Une Poupée pour M’Amuser”de 1997 e “Hello in this Sun” de 1998. O segundo álbum aliás teve ótima recepção, e rendeu ao Thou uma turnê como banda de abertura do Grandaddy.
Porém o maior passo dos belgas ainda não havia sido dado, e como estavam sem gravadora, resolveram gravar um disco com recursos próprios. Como produtor o Thou recrutou John Parish, guitarrista de PJ Harvey e co-produtor de “To Bring You My Love”, disco memorável da diva roqueira. As gravações foram realizadas em Bristol, no estúdio do Portishead, que presenteou os membros da banda com antigas fitas contendo bases musicais para serem aproveitadas. Sobre este material com a marca de qualidade e competência Portishead, o Thou compôs seu mais prolífico e intenso trabalho, o álbum “Put Us in Tune”, que não demorou a encontrar gravadora interessada em seu lançamento, que ocorreu em maio de 2000, inclusive debutando nos EUA.
“Put Us in Tune”, como não poderia deixar de ser em se tratando de trip-hop, é uma grande mistura entre o moderno e o velho, entre o simples e o elaborado, entre a discrição de melodias e a necessidade de se sobrssair das guitarras. Por sinal as guitarras quentes e distorcidas são polidas por ritmadas bases eletrônicas, vocais suaves e marcantes, e arranjos sedutores. A música do Thou é bela e charmosa, cheia de influências mas abundante em personalidade e alma.
Os executores destas harmoniosas obras são seis músicos liderados pela dupla de compositores Bart Vincent (guitarra e vocal) e a bela Does De Wolf (teclados e vocal). Vários colaboradores eventuais também participam da aventura musical do Thou.
Dificilmente o trip-hop se encaixaria na categoria “música para balada”, mas serve de trilha sonora ideal para os momentos de adrenalina baixa, calmaria e reflexão.